Biyou’z: uma porta para a África

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Pois bem, o Biyou’z (diz-se biúz) é um restaurante camaronês do centro de São Paulo. Vale a visita. É a porta para um repertório culinário pouco conhecido aqui – o parentesco que consigo enxergar é com a comida do Recôncavo Baiano. O forte cheiro de dendê no pequenito salão é indício da relação.

O ambiente é bem simples, tem bossa: paredes vermelhas e verdes, tecidos e peças de artesanato africano na parede – onde também figura foto da chef Melanito Biyouah com o artilheiro Samuel Eto’o (ano passado, durante a Copa, ela cozinhou para a seleção de seu país aqui no Brasil). Do salão, vê-se a muvuca da Barão de Limeira.

O serviço é simpático e trilíngue: português, francês e inglês são falados fluentemente (sem contar dialetos). O Biyou’z serve a comunidade de imigrantes camaroneses e de outros países africanos, mas é também aberto aos neófitos. O cardápio é traduzido para o inglês e tem fotos.

Mas de volta ao que interessa, a comida. A maioria dos pratos é tradicional do Camarões, mas tem também receitas nigerianas, senegalesas, congolesas. É tudo muito farto. Carne, peixe, frango vêm, em geral, embanhados como se fossem guisados, e alternam os acompanhamentos banana-da-terra, mandioca e fufu (polenta que pode ser de milho ou arroz, meio insossa, mas que ajuda a rebater os potentes temperos).

Também é recorrente no cardápio uma pasta de amendoim, base de alguns molhos, como o que vai no delicioso Ndole, que recomendo. Para os mais destemidos, vale encarar o Issingui, rico mocotó com um concentrado molho de berinjela e mandioca cozida.

A cada visita ao Biyou’z fui desbastando minha ignorância do que seja a comida camaronesa e a de outros países africanos. Até prova em contrário, só se vive uma vez: tratemos de não comer mal – e de aplastar ignorâncias. Ir ao Biyou’z ajuda na missão.

Fonte: http://paladar.estadao.com.br/noticias/restaurante-e-bares,biyouz-uma-porta-para-a-africa,10000007519